Revolução da riqueza

O sistema da criação de riqueza não está somente a mudar, como também está a acelerar o processo de mudança. Esta revolução da riqueza, que sentiremos nos nossos bolsos e no planeta não será devida apenas, à interação dos mercados. Quem fica com o quê e quem faz o quê nunca foi, excepto ocasionalmente em teoria, determinado apenas pela interação dos mercados. Em toda e qualquer parte, a construção de riqueza é moldada pelo poder, pela cultura, pela política e pelo estado. Ao longo da nossa história o poder tem sido estabelecido, de forma pacífica ou violenta entre as nações, sempre com o intuito de manter uma certa ordem local ou mundial. As nações têm sido sempre os atores principais em qualquer processo de criação e gestão da riqueza.

Constata-se nos dias de hoje uma necessidade de mais e melhores organizações internacionais, os países irão necessariamente formar novos blocos económicos, jogar jogos de moedas, impor taxas e conceder subsídios (cada vez mais encobertos por justificações ambientais, culturais e outras). Continuarão a culpar a concorrência desleal de outros países pelos seus problemas internos, como é o exemplo do desemprego ou do crescimento da economia. Exigirão o que se poderá chamar de igualdade das condições de concorrência para todos os países. Farão todo o barulho necessário para reivindicar sempre melhores condições, e irão, obviamente, cobrar impostos aos seus cidadãos para continuar a operar como têm feito sempre ao longo da nossa história.

As potências emergentes como a China, a Índia e o Brasil exigirão ser tratadas como grandes potências em organizações internacionais como o FMI, a OMC e o Banco Mundial, instituições cujas decisões afetam o comércio, as moedas, o crédito e um sem número de outras variáveis da criação de riqueza.

Mas enquanto as nações competirem mais ferozmente da forma como têm feito ao longo do tempo, onde existe normalmente “uma batalha” que sentencia uma vitória e uma derrota, estarão a disputar o jogo da derrota para todos no resultado final. Pois, quer os governos nacionais gostem quer não, o poder está a fugir a todos eles. Os grandes poderes são cada vez menos poderosos.

Os valores de liberdade conduzem naturalmente ao crescimento do poder individual. A liberdade de criar numa garagem um sistema de grande utilidade, faz convergir para um indivíduo, ou pequeno grupo de indivíduos, um poder de influência de magnitude global. As nações já não jogam o jogo da criação de riqueza sozinhas.

O futuro da criação de riqueza tem perigos ao seguir um caminho em que a liberdade seja desvalorizada, pois este cenário onde transformamos a liberdade em libertinagem, encaminha-nos para um terreno minado. Não nos podemos esquecer que mais liberdade implica menos segurança.

Se, por ventura, forem encontradas soluções onde todos ganham, poderão, eventualmente, ser colocadas fora de questão devido ao tradicionalismo acto de competir num cenário de ganhar e perder. A competitividade é tão importante como a cooperação. Neste sentido, a criação de riqueza no futuro será mais espontânea mas com mais riscos de liberdade e segurança.

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A obsolescência do conhecimento

Pensar é importante. Muitos dos factos em que pensamos são falácias. E a maior parte daquilo em que acreditamos é tendencialmente um disparate. Apesar da grande quantidade de dados, informação e conhecimento que recebemos constantemente, fico com a impressão que aquilo que sabemos corresponde cada vez menos à verdade.

Foi sempre necessário algum conhecimento para produzir riqueza e bem-estar aos seres humanos. Os nossos ancestrais tinham de conhecer os padrões migratórios das aves e identificar quais as plantas que beneficiavam o seu desenvolvimento orgânico. Esse conhecimento adquirido remete, por consequência, para as gerações seguintes. Se os camponeses tiveram de conhecer bem o solo, os trabalhadores de uma fábrica tinham de saber como operar as suas máquinas rapidamente e em segurança enquanto tinham estes empregos.

Nos dias de hoje, o conhecimento relevante para o bom desempenho de qualquer profissão muda tão rapidamente que é necessário adquirir novos conhecimentos tanto fora como no ambiente de trabalho. A aprendizagem é um processo contínuo. Mas não temos a capacidade de aprender tudo tão depressa como se exige actualmente. E isso ajuda a explicar o motivo pelo qual não é preciso ter vergonha, se parte daquilo em que pensamos é um disparate e não corresponde à verdade. A razão é que todo o conhecimento tem um prazo de validade e ao longo do tempo torna-se obsoleto. Para esclarecer a obsolescência do prazo de validade do conhecimento podemos considerar que a República de Platão ou a poética de Aristóteles sejam uma fonte de conhecimento? E as ideias de Confúcio ou Kant? Claro que poderemos descrever as suas ideias como sabedoria. Mas a sabedoria destes autores e filósofos era baseada no que conheciam, na sua própria base de conhecimento, e claro muito do que conheciam era de facto falso.

Aristóteles é um dos pensadores que mais influenciou a Europa e acreditava que as enguias eram assexuadas e originárias das entranhas da terra. Acreditava também que o Oceano Índico era um mar rodeado por terra – um erro geográfico que continuou a ser partilhado, séculos mais tarde, por Ptolomeu e outros sábios europeus e islâmicos.

Quando o tomate, proveniente da América do Sul, chegou à Europa no séc. XVI, acreditava-se que era tóxico para os humanos. Passaram 200 anos e Lineu afirmou o contrário. Em 1820, quando um indivíduo particularmente ousado arriscou comer dois tomates para provar que Lineu tinha razão, conseguiu atrair uma grande multidão.

Contudo, a obsolescência do conhecimento, nem sempre é divertida. Era do conhecimento comum em 1892 e aceite desde o tempo de Galileu, que o planeta Júpiter tinha quatro satélites. Porém, esse conhecimento tornou-se obsoleto quando nesse mesmo ano em Setembro o astrónomo E.E. Barnard descobriu uma quinta lua. Em 2003 os astrónomos já contavam 60.

Onde quer que o conhecimento esteja armazenado, seja em bases de dados digitais ou no nosso cérebro, nesse espaço existe também o equivalente ao “sótão das antiguidades” sobrelotado de ideias, factos, teorias, imagens e percepções que foram ultrapassadas pela mudança e substituídas por novas verdades mais recentes e provavelmente mais rigorosas. Ao acelerar o ritmo do acréscimo de conhecimento, desvalorizamos o conhecimento antigo e estabelecemos novas verdades.

Pesquisa de mercado: uma ferramenta para as pequenas e médias empresas em Portugal.

As pesquisas de mercado ajudam não só em informações relevantes sobre o ambiente em que as organizações estão inseridas como melhora também o relacionamento entre os intervenientes.

Para efetuar uma pesquisa de mercado deve ter em atenção alguns pormenores importantes para o sucesso na sua implementação:

  • Objetivo, necessidade ou problema: deve ser identificado o que se pretende descobrir com a pesquisa;
  • Público-alvo: grupo de pessoas e/ou de empresas que devem responder à pesquisa;
  • Mercado-alvo: qual o espaço geográfico do âmbito de análise;
  • Amostra: o número de pessoas/empresas a serem comunicadas.
  • Ferramentas (como pesquisar): telefone, internet, e-mail, entrevistas pessoais, e-mail-marketing, etc;
  • Prazo de execução: não existe um prazo que sirva como padrão para realizar uma pesquisa. Depende da dimensão de todo o objeto de análise: do público, do grau de abrangência, etc;
  • Recursos financeiros necessários: depende das ferramentas utilizadas (Telefone, e-mail, entrevistas pessoais, etc).

A realização de pesquisas de mercado pode ser um mecanismo relevante, para um melhor relacionamento que existe entre os agentes económicos, sociais e políticos do contexto organizacional. As pequenas e médias empresas em Portugal devem explorar melhor esta ferramenta. As pesquisas de mercado podem ser muito acessíveis aos bolsos, quase vazios, de muitas pequenas e médias empresas no nosso tecido empresarial, isto porque depende sempre do universo de análise que se pretende.

O poder da informação

A informação no séc. XXI será uma arma politica, social e económica poderosa. As redes sociais conseguiram derrubar regimes politicos. As pessoas ou organizações mais informadas têm vantagem competitiva. As organizações que detiverem maior poder sobre a informação terão vantagem em relação aos seus concorrentes. Este é um dos maiores desafios que uma economia como a portuguesa terá para se modernizar e competir com os seus concorrentes.

A gestão de conhecimento dentro das organizações é um dos fatores criticos de sucesso do tecido empresarial português. Para produzir produtos ou serviços com maior valor acrescentado é necessário que as empresas gastem mais dos seus recursos na gestão do conhecimento assim como na gestão da informação relevante ás suas atividades.

A inteligência competitiva é uma área cada vez mais importante para a economia portuguesa, pois trás consigo ferramentas e processos que auxiliam uma melhor tomada de decisão. Como as organizações precisam constantemente de tomar decisões, então investir na gestão de informação relevante, produzirá melhores decisões que trarão, por conseguinte, melhores resultados. Ter informação é ter poder.

O que é inteligência Competitiva?

Inteligência Competitiva é o processo de descoberta, análise e tratamento de informação com a finalidade de melhorar a competitividade. Inteligência Competitiva não é simplesmente encontrar informação. Consiste numa análise de informações num processo contínuo que está intimamente ligado à estrutura estratégica das organizações. É o sistema circulatório das organizações para o conhecimento. Esse conhecimento inclui os seguintes temas ou âmbitos:

  • Concorrentes
  • Tecnologia
  • Mudanças legais
  • Fornecedores
  • Matéria Prima
  • Indústria e tendências do mercado
  • Mudanças politicas e económicas
  • Clientes
  • Entre outras mais particulares associadas ás especificidades de cada área ou setor.

Inteligência competitiva permite obter mais e melhor informação sobre questões críticas numa base formal e sistemática. O seu foco está na geração de idéias para auxiliar as tomadas de decisão sobre eventos futuros. Inteligência Competitiva pode ajudar qualquer organização a ganhar valor e evitar o desperdício por saber mais sobre ela própria e o ambiente competitivo em que está inserida.

Como a maioria das organizações, provavelmente terá um crescimento estratégico focado no desenvolvimento de novos clientes, ganhar mercado oferecendo novos produtos / serviços, e actualizar o seu equipamento. Estas actividades podem ser prejudicadas se não tiver informações suficientes para fazer previsões precisas e implementar eficazmente estratégias competitivas.

Escrevi um livro em co-autoria com a Conceição Gonçalves sobre este tema. Podem ver um resumo do livro e adquirir no seguinte link: https://inteligenciacompetitivapt.wordpress.com/ .

 

Empreendedorismo e Microcrédito mais uma solução para Portugal

Presentemente o governo português apresenta boas noticias ao anunciar fundos para o Microcrédito. Uma solução para os desempregados, injetando estímulos à criação do próprio negócio. São alguns milhões que serão disponibilizados para iniciar uma atividade, mas existe um fator de risco para o sucesso destes fundos. Estou a falar do planeamento do tipo de negócio, setor de atividade, etc. O apoio à criação de negócios não deve ser baseada somente em dinheiro vivo, deve também ser intrinsecamente baseado em formação e instrução quanto à concepção e desenvolvimento do negócio em causa.

Além do microcrédito existem hoje outros mecanismos. Em Novembro de 2011 estive presente na feira do empreendedor no edifício da Alfândega do Porto. Algumas organizações do âmbito da perspectiva do investidor-empreendedor proporcionaram aos presentes alguns esclarecimentos interessantes. Este tipo de eventos devia ser mais recorrente na nossa sociedade, porque divulgam informação pertinente a qualquer empreendedor, a qualquer criação de negócio. Um bom exemplo na ajuda à criação do próprio negócio é o projeto GAIAFINICIA. Um sucesso no apoio à criação de negócios. Uma boa relação entre organizações politicas, económicas e sociais. Portugal precisa mais deste tipo de iniciativas.

Um projeto desta natureza de financiamento da economia surtiria efeitos mais positivos se tivesse maior dimensão de dinheiro, mas compreende-se dado o contexto orçamental. A relação entre poder público e poder privado deve ser o mais saudável possível para agilizar o funcionamento dos mesmos.  O governo deve ajudar rapidamente na desburocratização dos processos. Assim como impera-se fundamental uma justiça mais eficiente para a rápida resolução dos processos do âmbito jurídico. A economia portuguesa precisa de liquidez, mas precisa ainda mais de tirar os proveitos do investimento feito na educação auxiliando o conhecimento gerado nas Universidades.

O Microcrédito é uma ferramenta importante para a criação de emprego, estimulando a iniciativa pessoal à criação de algo. Portugal tem vivido tempos acomodados. Este não é um bom caminho. Porque é que os governantes dão dinheiro para a pessoas não fazerem nada. A iniciativa individual como o empreendedorismo deve ser valorizada e estimulada.

Clusters uma das soluções para Portugal

Realizou-se na cidade do Porto um grande evento sobre Clusters de Inovação. Estes Clusters de Inovação geram competitividade e desenvolvimento do país. Devem constituir uma aposta de referência no planeamento e execução de um novo modelo estratégico para a economia portuguesa. Vivem-se tempos de profunda crise internacional, grande parte dos sectores económicos confrontam-se com previsões pessimistas em relação ao futuro, a criação e dinamização dos Clusters é essencial. Os Clusters de Inovação, como projetos integrados de base local e nacional, geram um conhecimento importante para testar a capacidade de encontrar novas soluções associadas à inovação. Este é um dos grandes desafios deste ano de 2012.

Uma simbiose entre os intervenientes sociais e económicos (Municípios, Universidades, Associações Empresariais, entre outros) na apresentação de soluções estratégicas para Clusters acabarão por trazer surpresas positivas. Clusters de conhecimento local podem ser um importante estimulo ás organizações a melhorarem a sua produtividade e competitividade. A criação de comunidades, de conhecimento especializado no contexto em que as organizações se encontram inseridas, melhoram a eficiência e o desperdício. Estas sinergias criadas entre áreas relacionadas localmente podem aumentar não só a qualidade dos produtos como também a quantidade e conseguir chegar a mercados maiores.

O que está em causa em tudo isto é a aceitação e posterior resolução, por parte de todos no país, de um verdadeiro desígnio estratégico de corrigir o modelo mais recente de desenvolvimento económico. Informação, Inovação, Conhecimento e Criatividade são as palavras-chave de uma estratégia centrada na criação de valor global com impacto direto na produtividade e competitividade e, por conseguinte, no emprego e riqueza do país.

O sucesso dos Clusters de Inovação é fundamental para o desenvolvimento do país. É urgente que a sociedade agarre de forma séria este desígnio e faça da criação destas “Novas Plataformas de Competitividade” uma verdadeira aposta estratégica coletiva para os próximos anos.

O crescimento da economia portuguesa terá de passar por boas politicas sociais e económicas por parte do governo central, assim como de municípios, associações empresariais, Universidades, etc. Os governos dos últimos anos têm feito um investimento brutal na instrução dos portugueses, este conhecimento pode e deve ser rentabilizado com apoios a estes tipos de Clusters. O país só cresce se aproveitar o conhecimento que sai das universidades. O conhecimento trás consigo valor acrescentado a qualquer economia.